A Vida Real (e a Verdadeira Máfia) de “O Poderoso Chefão”
1 DE SETEMBRO DE 2014 BY CONRADO BINOTTI (CONRADOCE)
O ano era 1972. O roteiro foi inspirado no livro homônimo escrito por Mario Puzo. Entretanto, a produtora Paramount Pictures não imaginava a dor de cabeça que teria para conseguir filmar e lançar nos cinemas seu filme mais famoso e – quiçá – o mais clássico de todos os tempos: O Poderoso Chefão. Ademais, esta obra-de-arte do cinema possui contextos históricos muito mais reais do que a maioria das pessoas imagina, sendo que muitas cenas e mortes realmente ocorreram na vida real e alguns dos personagens foram inspirados em pessoas que verdadeiramente existiram. Foda-se que o texto ficou grande, garanto que esta leitura – integral – vale a pena para quem, assim como eu, realmente curte o assunto.

A legenda dessa foto caiu bem para o contexto do post, hein!
No início dos anos 70, a Liga Ítalo-Americana de Direitos Civis exigiu que a Paramount desistisse de lançar o filme e, ainda por cima, a organização conseguiu arrecadar cerca de quinhentos mil dólares, através de comícios, para tentar barrar a produção do longa, sob a alegação de que os italianos estavam cansados de se verem retratados como bárbaros bandidos. Contudo, o verdadeiro motivo estava bem aquém deste que fora divulgado pela Liga. Na verdade, a Italian-American Civil Rights League havia sido fundada por ninguém mais, ninguém menos, que o chefe de uma das cinco principais Famílias mafiosas do crime organizado de Nova York, Don Joseph “Joe” Colombo. Este, ao saber da existência de mais uma produção de um filme sobre gângsteres, ficou puto da vida (por motivos óbvios, né) e utilizou a tal Liga para tentar fazer a Paramount engavetar o projeto.

Don Joseph Colombo, vulgo Joe Colombo, chefe máximo da Família Colombo, uma das cinco principais Famílias mafiosas de Nova York.
Vendo que tal tentativa não estava surtindo efeito, Colombo resolveu tomar atitudes mais drásticas: primeiro, as janelas do carro do produtor Al Ruddy foram quebradas, tendo este recebido um bilhete sobre o perigo que sua vida corria caso a produção do filme continuasse. Outro executivo da produtora, Robert Evans, também foi ameaçado com um telefonema mandando-o sair da cidade, pois, do contrário, sua integridade física e a de seu filho estariam em “sérios apuros” (expressão digna de Sessão da Tarde, fala aí). E se você pensa que as ameaças aconteceram somente com os produtores responsáveis pelo filme está bem enganado. O diretor Francis Ford Coppola foi proibido de gravar algumas cenas em certos bairros controlados por sindicatos ligados à máfia. Até alguns equipamentos de filmagem foram subtraídos durante a produção nas ruas. Ainda, os escritórios da Paramount em Nova York tiveram que ser evacuados duas vezes após ameaças de bombas. É, cara, imagine a adrenalina do Coppola na hora das gravações, ainda mais com um roteiro desses.

Uma das tantas cenas gravadas nas ruas (essa é de quando Don Corleone é baleado). Observe que o diretor Francis Ford Coppola mostra para Marlon Brando como ele deveria interpretar sua tentativa de assassinato.
Com tudo isso acontecendo, a direção geral da Paramount achou melhor marcar um encontro com a máfia para um melhor esclarecimento dos fatos. O encontro ocorreu no Sheraton Park Hotel entre Don Colombo e o tal produtor Al Ruddy e qual não foi a surpresa da produtora ao perceber que o mafioso pedia apenas uma única condição para que o filme fosse lançado: que a palavra “máfia” não aparecesse nenhuma vez no roteiro (e se você observar bem verá que isso realmente acontece no primeiro filme). Estranhamente, após o acordo, Don Colombo e alguns outros gângsteres começaram a aparecer reiteradas vezes nos sets de filmagem para visitar o elenco e, principalmente, Marlon Brando – nem preciso explicar o porquê, né. Aliás, esses mafiosos mostraram-se até entusiasmados com a ideia do filme. Neste diapasão, Colombo usou de sua influência até para decidir sobre algumas pessoas que atuariam no filme, como é o caso do ator Gianni Russo, que já havia trabalhado quando garoto para um dos maiores mafiosos da história e também chefe de uma das cinco principais Famílias de Nova York, Frank Costello. Russo foi um dos que ajudaram nos termos das negociações entre a Paramount e a máfia. Sendo assim, conseguiu até ganhar um papel de destaque no filme com o personagem chamado Carlo Rizzi, genro de Don Corleone.

Cena em que Carlo Rizzi toma um verdadeiro sarrafo de seu cunhado, Sonny Corleone, no meio da rua.
Como é cediço para quem estuda o assunto, os v-e-r-d-a-d-e-i-r-o-s mafiosos – aqueles que realmente nasceram com o espírito da máfia – não aceitam pessoas midiáticas, que querem chamar muita atenção e que, consequentemente, podem prejudicar toda a organização. Com efeito, para o azar de Joseph Colombo, suas atitudes mais que reservadas irritaram a cúpula das cinco Famílias. O curioso é que, segundo os boatos (que quase sempre acabam se mostrando verídicos), enquanto Coppola gravava as cenas em que Al Pacino, no papel de Michael Corleone, extermina todos os seus inimigos de uma única vez, alguém atirava neste poderoso chefão da vira real há poucos quarteirões dali. Don Joseph “Joe” Colombo não morreu por causa do tiro, mas passou o resto de sua vida paralisado, até falecer em 1978.

Don Lucky Luciano, chefe da Família Luciano (posteriormente Genovese) e sistematizador da “Comissão das Cinco Famílias”. Se fosse para escolher O Maior e Verdadeiro Mafioso de toda a história, este seria o cara.
A par disso, agora você, caro leitor, pode começar a compreender o motivo pelo qual muitas pessoas e cenas que aparecem durante a trilogia de O Poderoso Chefão conferem com a realidade. A partir daqui é que o texto começa a esquentar, se liga. No primeiro filme da sequência, quando Don Vito Corleone reúne-se com as outras Famílias para decidir o que fazer após a morte de seu filho primogênito, Sonny Corleone, aquela reunião realmente acontecia frequentemente entre os chefes das cinco Famílias mafiosas nova-iorquinas. Era a chamada “Comissão da Máfia”, instituída por Don Lucky Luciano (com uma pitada de Don Joseph “Joe Bananas” Bonanno), e na qual reunia as cinco Famílias mafiosas mais poderosas de Nova York. Eram elas a Família Genovese (originalmente Família Luciano, chefiada pelo próprio, e posteriormente modificada para Família Genovese, comandada por Vito Genovese), Família Gambino (liderada por Carlo Gambino), Família Bonanno (do chefe Joe Bonanno), Família Lucchese (de Tommy Lucchese) e Família Colombo (do próprio Joe Colombo de quem falei no início do texto). No filme, é possível ver essas cinco Famílias representadas pelas Famílias Corleone, Tattaglia, Barzini, Stracci e Cuneo.

Da esquerda para a direita, tem-se em pé “Big” Paul Castellano, Gregory de Palma, Frank Sinatra, Thomas Marson, Don Carlo Gambino (o quinto, em pé), Jimmy “The Weasel” Fratiano, Salvatore Spatola e sentados Joseph Gambino e Richard “Nerves” Fusco. Todos, exceto Sinatra, eram mafiosos pesadíssimos, tem até o chefão Gambino!
Em meu outro post chamado “A Máfia Italiana de Frank Sinatra” (veja aqui), explico que, no filme, o personagem Johnny Fontaine foi inspirado no cantor Frank Sinatra (minha mãe o adora), que possuía íntimas ligações com Don Lucky Luciano e Don Carlo Gambino, além de outros poderosos mafiosos. Ainda, a famosa cena da decapitação da cabeça do cavalo teria ocorrido de verdade. Sinatra pediu a ajuda de Sam Giancana, o Don supremo da máfia de Chicago após o reinado de Al Capone na mesma cidade, para ter o papel principal no filme “A um Passo da Eternidade”, de 1953 (Frank ganhou o Oscar por esse filme, inclusive). O todo-poderoso diretor da Columbia Pictures, Harry Cohn, que no início era totalmente contra a atuação de Sinatra no filme, aceitou dar o papel a Frank depois que seu cavalo de corridas preferido apareceu com a cabeça decapitada em sua casa (e incrivelmente o cara ganha o Oscar, que bacana!).

Don Sam Giancana depondo perante as autoridades. Olha o estilo do doidão, zica ou não?!
Outro fato que o filme conta ter ocorrido com o personagem Fontaine também ocorreu com Sinatra. No início da carreira, o cantor recorreu à máfia para se livrar das obrigações de um contrato pra lá de amarrado com a orquestra de Tommy Dorsey, que lhe impedia de seguir em carreira solo. Willie Moretti, capo de New Jersey, resolveu o assunto ao colocar uma pistola na boca de Tommy e dizer que ou sua assinatura ou seu cérebro estariam no contrato de rescisão. Detalhe: o contrato foi rescindido por uma multa irrisória de um dólar. No longa, Michael Corleone conta essa mesma história para sua mulher, Kay Adams, como se ela tivesse acontecido pelas mãos de Luca Brasi. Inclusive, sobre o ator Lenny Montana que interpretou Luca Brasi, há uma curiosidade: Lenny estava tão nervoso para gravar a sua primeira cena, em que aparece contracenando com Marlon Brando, ídolo supremo na época, que Coppola o flagrou encenando-a sozinho em um canto do estúdio. O diretor gostou tanto que a cena em que Luca aparece ensaiando sua fala como se fosse dirigi-la ao Don Corleone realmente não foi ensaiada. Confira o take no vídeo abaixo.
Mas não é só o filme que imita a arte, pois a coisa aconteceu até ao inverso também. Dizem que Don Luciano Leggio inspirou-se nos trejeitos de Marlon Brando no papel de Don Vito Corleone durante o resto de sua vida após o lançamento do filme. Leggio foi um dos chefes mais assassinos da história da máfia siciliana, dando origem à sanguinária Família Corleonesi (sem semelhança com a Corleone), na qual sucederam Salvatore “Totò” Riina, Bernardo Provenzano e Salavatore Lo Piccolo – este último foi preso em 2007, junto com um papel que posteriormente descobriu-se serem os dez mandamentos da máfia siciliana (leia aqui). Marlon Brando quis que o rosto do Don Corleone se parecesse com o de um cão Buldogue, então resolveu encher a boca de algodão e laranja para seu teste e Coppola adorou. Para as gravações, foram usadas peças feitas por um dentista, que hoje estão em exposição em um museu em Nova York. Mas Brando também teve como inspiração certos mafiosos para melhor interpretar o papel. Quem mais inspirou o ator foi a pessoa de Don Frank Costello, um dos mais respeitados da máfia, após Brando tê-lo visto na televisão depondo para o Comitê Kefauver no Congresso Americano Sobre o Crime Organizado (a voz rouca teria surgida daí, inclusive). Costello era conhecido como o “primeiro-ministro do submundo” por seus conselhos e o impecável poder de influência para com as autoridades estatais e os políticos, assim como Don Vito Corleone. Abaixo é possível ver, a partir dos 2m25s do vídeo, este mafioso tirando um puta sarro dos senadores durante o depoimento, recusando-se a responder as perguntas ou ironizando-as.
Sobre esse mano que serviu como principal inspiração a Marlon, veja só o que é ser mafioso: Frank Costello ficou preso durante dezoito meses por desacato simplesmente por ter se recusado a responder às perguntas feitas pelo tal Comitê chefiado pelo senador Ester Kefauver. Ainda, Frank sobreviveu a uma tentativa de assassinato ordenada por seu antigo amigo Don Vito Genovese, contudo, no dia do julgamento perante o júri, o mafioso recusou-se a identificar o executor do disparo em sua cabeça e o sujeito acabou sendo absolvido. Isso sim é ser mafioso, né não? Apenas para curiosidade: o tal indivíduo que realizou o disparo e que foi “salvo da prisão” pela vítima Costello era ninguém menos que Vincent “The Chin” Gigante, até então pistoleiro de Vito Genovese, mas que, anos mais tarde, tornou-se chefe desta Família de 1981 a 2005, quando faleceu de causas naturais.

Don Vito Genovese, patriarca da Família Genovese.
Quer outro paralelo do filme com a vida real? Pois bem, esse tal Comitê do senador Kefauver que mencionei acima pode ser visto durante grande parte de “O Poderoso Chefão – Parte II”, quando Michael Corleone e outros personagens são chamados inúmeras vezes para deporem em frente às câmeras (aliás, qual dos Kennedys você acha que se coadunaria mais com o personagem Senador Pat Geary, hein? Vou deixar essa no gelo só por maldade, mas adianto que o verdadeiro algoz desta família não foi Lee Harvey Oswald). Outo paralelo com a vida real? As cenas do primeiro filme em que são mostradas diversas notícias de jornais relatando a guerra entre as Famílias realmente eram de verdade. Na sequência, é possível ver a foto original do corpo de Frank Nitti, braço direito de Don Al Capone, após cometer suicídio com um tiro na cabeça. Muitos não sabem, mas essa parte específica do filme foi montada por George Lucas, como um favor ao amigo Francis Ford Coppola, que o ajudou a financiar seu filme “Loucuras de Verão”, entretanto, Lucas pediu para seu nome não entrar nos créditos do filme.

Don Joseph “Joe Bananas” Bonanno, líder da Família Bonanno.
Também no segundo filme da saga, o personagem Hyman Roth foi inspirado no mafioso Don Meyer Lansky, considerado como possuidor de um dos QI’s mais elevados da máfia por sua genialidade nos mundo dos negócios. Já o papel do personagem Moe Greene retrata o mafioso Don Benjamin “Bugsy” Siegel. Se você adora Las Vegas, agradeça a esse cara, pois ele é o verdadeiro responsável pela construção e ascensão dessa cidade e dos cassinos porque, antes de Siegel, tal lugar não era mais que um simples deserto. No filme, Roth concorda com o assassinato de seu companheiro Greene, sendo que na vida real o mesmo ocorreu após Lansky dar o aval para o assassinato de Siegel. Tanto Meyer Lansky quanto Benjamin “Bugsy” Siegel eram amigos praticamente inseparáveis de Frank Costello, Vito Genovese e Lucky Luciano nos primeiros anos da vida mafiosa. Os cinco cresceram, praticamente, juntos. Como maior prova de tudo isso que estou falando acerca do segundo filme, em determinada cena deste longa é possível ouvir Hyman Roth dizer “Somos maiores que o aço norte-americano”, uma das frases mais pronunciadas por Don Meyer Lansky durante sua vida. Acho que para simplesmente disfarçar um pouco, Coppola preferiu que Roth tivesse seu fim dentro do aeroporto, com o corpo crivado de balas, diferentemente de Lansky, que morreu vítima de câncer de pulmão aos oitenta anos.

Don Meyer Lanski, leitor ávido e um dos mafiosos mais inteligentes de que se tem notícia.
Apesar de não ter muito a ver com o filme, vale a pena eu relatar aqui um boato envolvendo “Bugsy” Siegel juntamente com Benito Mussolini e Joseph Goebbels (se você não sabe quem são esses dois manos, então sugiro que retorne às aulas do colégio). Conta-se que, certa noite, Mussolini, acompanhado pelo ministro nazista Goebbels, foi jantar na propriedade italiana dos condes Frasso, que também estava hospedando Siegel. O mafioso, que se vestia no quarto da condessa, absolutamente desconhecedor dessas duas personalidades que até então dominavam o cenário político europeu, perguntou-lhe quem eram aqueles caras. Prevenindo inconveniências durante o jantar, a condessa explicou-lhe os ideais fascistas e nazistas e contou-lhe sobre os projetos de Hitler e Mussolini. Siegel, que era judeu, ficou puto da vida, agarrou sua inseparável .38 Special e já estava se preparando para descer ao salão sentar o dedo em Mussolini e Goebbles quando foi interceptado pela condessa Frasso, que o convenceu a voltar atrás na decisão. Imagine se o cara tivesse metido bala nos dois, como seriam os fatos históricos depois dali? Curiosa essa história, né?

Don Benjamin “Bugsy” Siegel, o criador de Las Vegas.
Enfim, continuando o raciocínio, em “O Poderoso Chefão – Parte III”, o personagem Arcebispo Gilday existiu na vida real através do Bispo Paul Marcinkus, ligado aos escândalos com o Banco Ambrosiano e com o próprio Banco do Vaticano, além de envolvimentos comprometedores com a máfia, maçonaria e até com a morte do Papa João Paulo I. Uma das teorias existentes por aí é a de que o Papa João Paulo I, que só conseguiu comandar a Igreja Católica por apenas um mês, foi assassinado porque estava prestes a descobrir os escândalos financeiros do Vaticano na época. Tudo igualmente retratado no terceiro filme. O banqueiro fugitivo que aparece enforcado numa das pontes de Roma durante a terceira parte da trilogia também existiu e assim mesmo foi encontrado. Assista à película com atenção e entenderá. Se você for realmente atrás dessas histórias, irá constatar que o Banco do Vaticano possuía muito mais ligações com a Família Corleonesi, através de Don Salavatore “Totò” Riina e Don Bernardo Provenzano, do que podemos imaginar.

Salavatore “Totò” Riina e Bernardo Provenzano, dois ex-chefes máximos, considerados os Capos di Tutti i Capi da máfia siciliana (primeiro Riina, que foi sucedido posteriormente por Provenzano), ambos pertencentes à Família Corleonesi.
O jornalista Gianluigi Nuzzi, em seu livro “Vaticano S.A.”, recolheu trechos retirados dos arquivos do Vaticano acerca do depoimento de Francesco Saverio Mannoia, um desses mafiosos arrependidos e delatores, que dizia: “Tinha ouvido Stefano Bontate e outros homens honrados de minha família dizerem que Pippo Calò, Salvatore “Totò” Riina e outros do mesmo grupo de Corleone tinham investido somas de dinheiro em Roma por intermédio de Licio Gelli, chefão da maçonaria italiana, que cuidava dos investimentos e que parte do dinheiro era investido no Banco do Vaticano (…) Quando o papa João Paulo II veio à Sicília em 1993 e excomungou os mafiosos, os chefes da máfia ficaram ressentidos principalmente porque levavam seu dinheiro para o Vaticano. Disso surgiu a decisão de detonar duas bombas diante de duas igrejas em Roma”. Interessante, não?

Bispo Paul Marcinkus, um dos diabos do Vaticano.
Em suma, se sua leitura chegou até aqui sem pular nada, acredito que este texto tenha colaborado – e muito – para você que adora essas histórias e este clássico do cinema (eu tenho uma tattoo do Don Vito Corleone no peito, então sou suspeito para falar). Por fim, gostaria de descrever aqui um relato do jornalista Enrico Deaglio, que passou uma tarde inteira entrevistando o mafioso Don Nicola “Nick” Gentile. Segundo o jornalista, Don Gentile definiu desta maneira sobre o seu conceito acerca do que é ser um mafioso:
“Doutorzinho, se eu entrar aqui desarmado e você sacar de uma pistola, apontá-la na minha direção e disser: “Cola Gentile, ponha-se de joelhos”. O que eu faço? Ajoelho-me. Mas isso não significa que você seja um mafioso somente porque obrigou Cola Gentile a ajoelhar-se. Significa apenas que você é um cretino com uma pistola na mão. Agora se eu, Don Nicola Gentile, entro desarmado e você também está desarmado e lhe digo: “Doutorzinho, escute bem, estou numa situação delicada, tenho de lhe pedir para se ajoelhar”. Você me perguntará: “Por quê?” E eu responderei: “Doutorzinho, deixe-me explicar…”. E eu consigo convencê-lo de que você tem mesmo de se ajoelhar. Neste momento, quando você se ajoelha, isso faz de mim um mafioso. Entretanto, se você se recusar a ajoelhar, então terei de lhe dar um tiro. Mas isso não significa que eu ganhei: pelo contrário, na verdade, eu perdi, doutorzinho”.

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